"Não canso de dizer: o ballet é a minha segunda pele".

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Entrevista - Folha on-line


17/07/2008 - 16h55
Leia entrevista exclusiva com bailarina que encantou Joinville
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CRISTINA BALDI Enviada especial da Folha Online a Joinville (SC)
O ar despojado não denuncia que, debaixo daquela roupa, vive uma bailarina clássica. Definitivamente, quem olha "o figurino do dia-a-dia" de Cecília Kerche nem imagina que está diante da grande bailarina, da "prima dona" do Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Mas, quando ela começa a falar, a postura ereta e os trejeitos entregam o seu dom.
Guto Gonçalves/Divulgação
Cecília Kerche, 47, afirma que ainda tem entusiasmo para aulas
Cecília Kerche abriu o 26º Festival de Dança de Joinville e fica na cidade até o fim do evento, onde será jurada da Mostra Competitiva (com mais de 4.500 bailarinos concorrendo ao prêmio de melhor na sua categoria). Na cidade catarinense interpretou "O Lago dos Cisnes", no papel principal. Ela diz que, se não fosse bailarina, talvez fosse atriz, pois gosta de mexer com a emoção do público. E, no palco, realmente emociona.
*
Folha Online- Você é considerada uma das melhores intérpretes de Odette/Odile, de "O Lago dos Cisnes". A que se deve essa reverência?
Cecília Kerche- Acho que é um conjunto de tudo, porque a técnica tem de estar a serviço da arte. É preciso destreza técnica para ter desenvoltura na interpretação.
Folha Online- O que é necessário para caracterizar estas duas personagens (a Odette boazinha e a Odile, a gêmea má)?
Kerche- O balé tem de começar criança. A gente se prepara a vida toda para talvez ficar no palco apenas dois minutos. Imagina dançar um balé completo. São vários anos de estudo, na sala de aula, na frente do espelho, escutando a música, para compreender o que Tchaikovsky [autor da trilha sonora de "O Lago dos Cisnes"] quis dizer. Basicamente é entender o que Ivanov e Petipa [autores da coreografia original] entenderam da música.
Folha Online- Em que medida a maturidade artística ajuda na interpretação desse papel e, por outro lado, o "peso dos anos" pode atrapalhar [a bailarina está com 47 anos]?
Kerche- Os anos de vida trazem a maturidade artística. Eu sou as alegrias, as tristezas e as decepções que vivi, e isso empresto para a minha dança. Já o peso dos anos, na parte técnica, sinceramente, ainda não sinto. Eu ainda hoje procuro a minúcia do movimento. Não a perfeição, que é utópica, mas o aprimoramento da forma de tombar a cabeça, por exemplo, de movimentar a mão...
Amir Sfair Filho/Divulgação

Bailarina Cecília Kerche, do Balé do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, encanta platéia em Joinville com "O Lago dos Cisnes"
Folha Online- Em tantos anos de bailarina profissional, você já dançou diversas versões de "O Lago dos Cisnes". Existe alguma que lhe toca mais, que foi mais importante?
Kerche- O primeiro e terceiro ato são sempre do Petipa e o segundo, do Ivanov. Geralmente é no quarto ato que o coreógrafo faz a diferença, a "criação pós-original". Para mim, a versão que mais me tocou foi a de Makarova [refere-se à coreógrafa russa Natália Makarova]. Foi o quarto ato mais lindo, mais poético, em termos de sentimentos. É pura poesia. Foi o que mais me preencheu, no aspecto da beleza, da tristeza, da emoção.
Folha Online- Passados mais de 130 anos da primeira versão, "O Lago dos Cisnes" ainda emociona muita gente. Por quê?
Kerche- Vou dar a minha opinião pessoal, não de bailarina. Acho que é pela magia de, desde criança, se imaginar a bailarina ideal como um cisne. E a música magnífica. Além disso, há a dualidade, isso persegue o humano: a luta do bem e do mal [referindo-se às personagens Odette e Odile].
Folha Online- Você é considerada uma das maiores intérpretes do cisne, mas há também algum balé predileto?
Kerche- O meu predileto é Giselle. Mas adoro "O Lago". Também gosto muito de "La Bayadère". A gente do clássico gosta de tudo, de tudo o que hoje é obrigatoriedade de todas as companhias clássicas.
Folha Online- O que você vê de diferente hoje na dança em relação a quando começou profissionalmente?
Kerche- Houve uma grande evolução técnica, mas há pouco incentivo ainda. São poucas companhias. A maior é a do Municipal do Rio de Janeiro, que dá ao bailarino a perspectiva de desenvolvimento artístico. É a única no país neste molde e precisa ser preservada. O balé do Brasil exporta muita gente, tem grandes valores, faz a diferença no cenário internacional. Temos um calor, uma energia que se nota a diferença.
Folha Online- Há alguém da nova geração que você considera que "promete"?
Kerche- Os nossos primeiros bailarinos (do Municipal): a Cláudia Mota, a Márcia Jaqueline, o Vitor Luiz, o nosso grande solista Renê Salazar, a Priscilla Mota. Temos inúmeros solistas de grande valia. O corpo de baile é feito da última até a primeira fila. Todos são importantes para em uma companhia clássica.
Folha Online- Existe algum lugar ou papel que você gostaria de ter dançado e ainda não realizou este sonho?
Kerche- Sim, sempre há, pois sou ávida por conhecimento. Mas eu destaco Manon, que tem a ver comigo. Seria interessante interpretar, por causa do meu estilo, meu temperamento. [A bailarina refere-se à obra de Kenneth MacMillan, com música de Jules Massenet, de 1974, cuja personagem principal é uma "femme fatale"].
Folha Online- Algumas grandes companhias brasileiras, como a do Guaíra (PR) e o Balé da Cidade (SP), têm um segundo grupo, em que os bailarinos mais velhos passam a desenvolver outro tipo de pesquisa. Você pretende fazer isso quando achar que não deve mais dançar balé clássico?
Kerche- Eu danço outros estilos em paralelo ao clássico. Mas o meu biótipo é de clássico. Faço algumas coisas neoclássicas ou contemporâneas. Se tiver um coreógrafo inteligente para entender meu físico e me entender, além de me tocar, eu danço. Não preciso deixar para depois.
Folha Online- Você pretende dançar até quando?
Kerche- Vou dançar até a hora que eu achar que está muito difícil. Não sei dizer quando. Quando eu tinha 25 anos, pensei que era até os 28; depois os 40. Vou dançar até ficar difícil de levantar da cama e dizer: puxa, tenho de fazer aula. Quando não tiver entusiasmo para isso. E, quando ficar difícil para mim, é sinal que para o público também.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Festival de Joinville - continuação


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26º Festival de Dança de Joinville -16/07/2008 a 26/07/2008
Noite de Abertura
O clássico dos clássicos para Joinville aplaudir
A mais popular peça de balé do mundo, interpretada pelo mais tradicional Corpo de Baile do Brasil e com elenco formado por virtuosos bailarinos, incluindo um joinvilense, é a grande atração da noite de abertura do 26º Festival de Dança de Joinville. No dia 16 de julho, no Centreventos Cau Hansen, o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta o Lago dos Cisnes, um espetáculo de nível artístico indiscutível, que marca o início desta verdadeira maratona de dança, a maior da América Latina. A Companhia de Ballet do Theatro Municipal foi a primeira do continente americano a apresentar o Lago dos Cisnes na íntegra, em 1959. Bertha Rosanova e Aldo Lotufo foram os intérpretes naquela ocasião. A montagem do Lago dos Cisnes que será apresentada em Joinville na abertura do Festival de Dança foi criada em 2006 pela bailarina russa Yelena Pankova e foi o terceiro clássico apresentado pelo Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, no ano em que comemorou 70 anos de oficialização. Este trabalho foi o primeiro de Pankova como coreógrafa no Brasil e, segundo ela, há uma grande diferença no terceiro ato, com a unificação dos diversos tipos de dança apresentadas. Com música de Tchaikovsky e versão coreográfica de Yelena Pankova, sobem ao palco os solistas Cecília Kerche e Vitor Luiz, além de 70 outros bailarinos. O elenco ainda conta com a participação de Rodrigo Hermesmeyer, hoje artista de nível internacional, formado na Escola Municipal de Ballet, mantida pela Casa da Cultura de Joinville, sua cidade natal. Este balé é considerado por especialistas um dos mais difíceis tecnicamente, pois a interpretação é um fator primordial para a essência do espetáculo, ao mesmo tempo em que a técnica exige força, habilidade e precisão dos bailarinos. O sucesso do Lago dos Cisnes só aconteceu 22 anos depois da estréia, graças à genialidade dos novos coreógrafos, Marius Pepita e Lev Ivanov, que conseguiram desenvolver a idéia dramática central e representar o sofrimento de uma jovem presa em um corpo de pássaro, através de movimentos leves de braços, das articulações de pés, da posição de cabeça e do alongamento do pescoço. Baseado num conto de fadas alemão, o Lago dos Cisnes foi montado pela primeira vez na cidade de Moscou, Rússia, em maio de 1877. A história começa com a caçada comemorativa do 21º aniversário do Príncipe Siegfried, em que a Rainha, sua mãe, o lembra da necessidade de escolher uma noiva entre seis princesas, um dever na sua maioridade. Triste pelo fim de sua liberdade, ele vai caçar com amigos. Ao avistar alguns cisnes, resolve estender a caça até o cair da noite, já sem seus companheiros. No segundo ato do espetáculo acontece um dos momentos mais fantásticos, quando um cisne branco visto pelo Príncipe Siegfried transforma-se numa bela moça. Odette revela a maldição de um feiticeiro que a transformou, assim como a outras jovens princesas, em cisne, podendo adquirir a forma humana apenas durante algumas horas da madrugada. A condição para que o encanto seja desfeito e que caracteriza um típico conto de amor como este, é a paixão e as juras de fidelidade de um jovem disposto a desposá-la. É neste momento da peça que acontece o baile de aniversário do Príncipe, em que ele deve escolher uma esposa. Depois de dançar com as seis candidatas e com o pensamento em Odette, ele recusa a todas. O barão Von Rothbart chega com sua filha Odile, que por sua semelhança com Odette acaba atraindo os olhares do aniversariante. Este se apaixona imediatamente e declara seu amor e fidelidade à moça. Instantes mais tarde, o príncipe percebe que foi vítima de uma plano malvado de Odile e seu pai, o feiticeiro que transformou as jovens em cisnes. A peça trágica termina com o pedido de perdão de Siegfried para Odette, que resolve se matar para fugir do destino cruel de viver eternamente como um cisne. O jovem apaixonado também se atira nas águas do lago, quebrando o poder de Rothbart. A paixão que ultrapassa a morte marca o final da peça. As princesas Odette e Odile são interpretadas pela mesma bailarina, a experiente Cecília Kerche. Seu nome constitui um dos expoentes mais notáveis surgidos no Ballet Latino-americano das últimas décadas. Brasileira, integra o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro como Bailarina Principal e paralelamente tem sido convidada a se apresentar nos mais importantes festivais brasileiros e internacionais. Para o papel do Príncipe Siegfried foi escolhido o bailarino Vitor Luiz, que estudou na mundialmente conceituada "The Royal Ballet Schooll", em Londres. Pouco depois, integrou-se ao Birminghan Royal Ballet, dando então início à sua carreira profissional. Recentemente recebeu o título de Primeiro Bailarino do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde é apontado como um dos maiores destaques masculinos surgidos no Brasil nas últimas décadas. Além de Cecília Kerche e Vitor Luiz, o Lago dos Cisnes que abre o Festival de Dança terá Carlos Cabral como o feiticeiro Rothbart e a participação do joinvilense Rodrigo Hermesmeyer. O bailarino começou seus estudos na Casa da Cultura aos 11 anos e aos 15 já participava de festivais, inclusive o de Joinville. Em 2005 foi um dos indicados ao prêmio de revelação do Festival e no ano seguinte foi convidado a integrar a Companhia Brasileira de Ballet do Rio de Janeiro. Segundo ele, a mudança só foi realmente processada quando dançou com a Companhia do Theatro Municipal: "Demorei um pouco para assimilar, foi tudo muito rápido, mas minha técnica melhorou muito e sou mais valorizado". Depois de o Quebra-Nozes, Rodrigo passou a integrar o elenco de o Lago dos Cisnes.

sábado, 12 de julho de 2008

Festival de Joinville - Noite de Abertura

Festival Internacional de Joinville realiza 26ª edição
Festival Internacional de Dança de Joinville realiza sua 26ª edição entre os dias 16 e 26 de julho, com abertura no Cetreventos Cau Hausen. O Festival reúne bailarinos e visitantes de vários países, além de realizar cursos e oficinas de aperfeiçoamento profissional, workshops gratuitos para coreógrafos, seminários de dança, palestras, debates e projetos comunitários. O evento atrai um público superior a 200 mil pessoas em uma média de 170 horas de espetáculos. O alcance do festival garantiu a citação no Guinness Book de 2005 como o maior festival de dança do mundo. Com uma programação que inclui Mostra de Dança Contemporânea, Seminários de Dança, Feira da Sapatilha e Encontro das Ruas, o festival reserva para 2008 a apresentação do Lago do Cisnes. Os ingressos serão vendidos de 1 a 26 de julho, em bilheterias, internet, call center e pontos de venda rápidos. Mais informações no site
http://www.festivaldedanca.com.br/ e no telefone (47) 3423 1010.
Anote aí:Bilheteria Central - Centreventos Cau Hansen Endereço: Av. José Vieria, 315 - Joinville (SC). Horário de atendimento: 13h às 21h, de segunda a domingoFormas de pagamentos aceitas: Dinheiro, Cartões de Crédito e Débito (VISA e MasterCard)Limite de compras por pessoa: 24 ingressos, com um máximo de 6 por apresentação.
CallcenterJoinville: 4063-9244.Principais capitais e regiões metropolitanas: 4003-1212.Outras localidades: 0 XX 11 4003-1212.Consulte a lista completa, com endereços, horários de atendimento e formas de pagamento aceitas, pelo site
http://www.ingressorapido.com.br/.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Giselle em São Paulo



Fotos: Henrique Pontual
Dias 17 e 18 de junho.
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL de Cecilia Kerche ( Giselle ) e Vitor Luiz ( Albrecht ) primeiros bailarinos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Marina Ricci (Mirtha), primeira bailarina Cia. Paulista de Dança.
Cia Paulista de Dança Adriana Assaf A Cia Paulista de Dança tem como objetivo servir de laboratório ou studio para formação de alunos (as), dando a oportunidade de elaborarem e participarem de grandes montagens e remontagens da area da dança. Outro ponto importante é poder gerar emprego e dar oportunidade aos profissionais da dança como bailarinos, coreografos, ensaiadores e remontadores de repertórios, a desenvolverem seus trabalhos. E por fim, trazer para nosso publico um trabalho de qualidade e renovação, fazendo com que incorporem em sua cultura a arte da dança.
http://www.ciapaulistadedanca.com.br/
Giselle Nome: Giselle Coreografia: Jules Perror e Jean Coralli Música: Adolphe Adam
Fotos:Henrique Pontual
História
Ato I - Alemanha Um quente raio de sol abre o dia. É época da vindima. Num canto, meio escondida entre a vegetação, encontra-se uma cabana de camponês humilde e simples. Ao longe, em cima do rochedo, vê-se uma destas habitações feudais, onde o Duque Albrecht, lá do alto, viu passar uma doce e charmosa criatura. É Giselle, filha de Berthe. Albrecht, apaixonado, veste-se de vindimador e vai morar em frente da cabana de Giselle. Esta acredita ser êle apenas um rapaz da vila chamado Loys e apaixona-se por êle. É de manhã e os camponeses partem para a vindima. Entra em cena Hilarion, o jovem gurada-caças da vila, que também está loucamente apaixonado por Giselle. Êle se dirige à casa dela e encontra Berthe. O jovem Duque sai de sua cabana acompanhado de seu criado Wilfrid, que insiste para que Albrecht (Loys) não prossiga com este namoro, mas êle persiste, pois está encantado e ordena a seu criado para deixá-lo. Loys aproxima-se da cabana de Giselle, bate na porta e se esconde. A porta se abre. É Giselle que sai, ágil e alegre como todos os corações puros. Ela vai dançar, pois não dança desde ontem. Êles se encontram mas Hilarion interrompe o idílio de Giselle, lembrando seu amor por ela. Mas Giselle, apaixonada por Loys, repele Hilariona e, juntando-se alegremente às suas amigas e companheiros, comemoram o fim da colheita das uvas. Berthe, sua mãe, sai a sua procura. Ao vê-la adverte, pois Giselle é fragil do coração. A fadiga, as emoções lhe serão fatais:”Você acabará morrendo e irá se transformar em uma Willi, e irpa ao baile mágico onde levará os viajantes na ronda fatal. Você será uma vampira da dança”. Assim, Giselle é forçada a entrar na cabana. Soam as trompas de caça e Wilfrid aparece para avisar seu senhor que um grupo de nobres se aproxima. Hilarion observa, e na primeira oportunidade, entra na cabana e Loys. A fim de desvendar o mistério que o cerca. O grupo de caça chega, junto com o príncipe e sua filha Bathilde, noiva de Albrecht(Loys). O calor do dia os incomoda e procuram aquele lugar para descançar. Bathilde se encanta com a dança de giselle e descobrindo que ela está comprometida e apaixonada, dá-lhe um colar de presente. Êles se retiram, o Príncipe ordena que deixem uma trompa para chamá-los em caso de necessidade. Isso faz com que Hilarion compare os brasões da trompa com os da espada de Loys. Finalmente, tendo em mãos a oportunidade de desmascarar Loys, Hilarion espera o momento em que todos estão presentes e conta toda a verdade. Giselle não acredita. Hilarion, então, toca a trompa e aparece o Príncipe aompanhado de Bathilde. Loys(Albrecht), fica perplexo e confuso, mas quando Bathilde declara que Albrecht é seu noivo, o choque tira a razão de Giselle. Uma sombra de delírio a invade. É a loucura. Giselle, por um momoento, revive seu amor por Loys, mas a dor é grande e tomando a espada, crava-a em seu corpo. Ato II Soa meia-noite sob a terra fria da floresta. Lugar sinistro, de árvores com troncos torcidos e entrelaçados, que possui uma atmosfera de suspiros e lágrmas. É o lugar onde se passa o baile mágico das Willis.Elas são os espíritos das jovens que foram enganadas e morreram antes do dia do seu casamento.Elas se reúnem ali e obrigam jovens rapazes a dançar até amorte. É meia noite, hora lúgubre, e Hilarion está de vigília na sepultura de Giselle. Surge uma sombra transparente e pálida. É Mirtha, a rainha das Willis. Ela evoca forças e com um galho de alecrim toca todos os cantos, fazendo surgir outras Willis que se agrupam graciosamente em torno dela. Neste momento, elas tiram Giselle de sua sepultura para iniciá-la em seus ritos. Ela dança com suas graciosas irmãs, mas um barulho ao longe faz com que todas Willis se dispersem e escondam no bosque. É Albrecht, que chega trazendo flores. Giselle surge para êle. O seu amor por êle ainda vive...Albrecht tenta pegá-la mas ela desaparece...Êle sai a sua procura...Neste momento, Hilarion é pego pelas Willis. Mirtha, a rainha, ordena-o a dançar até a exaustão, fazendo-o cair nas profundezas do lago. As Willis começam então uma orgia alegre, dirigida por sua rainha triunfante, quando uma delas descobre Albrecht e o traz para o cíeculo mágico. Mas no momento em que Mirtha vai tocá-lo, Giselle se lança na frente de Albrcht, protegendo-o. Giselle leva-o à proteção da cruz em seu túmulo, mas Mirtha usa seu poder sobre Giselle para forçá-la a dançar. Albrecht não suporta e abandona a cruz que o preservava da morte e aproxim-se de Giselle. Êles dançam até que Albrecht cai de exaustão. Mas neste momento surge a aurora, quebrando o poder das Willis. O amor de Giselle por Albrecht salva-o.
Teatro Shopping Frei Caneca Rua Frei Caneca, 569 , 6º andar, São Paulo Telefone: 3472 2229 / 3472 2230. Vendas pelo telefone: 4003-1212 Vendas pela internet: www.ingressorapido.com.br Bilheteria: de terça a domingo, a partir das 13h. Aceita cartão de débito e crédito. Não aceita cheque.
Preço: R$ 60,00 (17 e 18 de junho)
Apresentações: 17 e 18 de junho - 20:30 hs. - 06 e 07 de setembro - Horario e preços a definir.

sábado, 10 de maio de 2008

A Bela Adormecida nos EUA - Outubro de 2007

October 28, 2007
Dance Review
A ‘Beauty’ That Lives Up to Its International Pedigree
By
SYLVIANE GOLD
Talk about globalization! Connecticut Ballet’s new production of “The Sleeping Beauty,” which opened last weekend at its home base in Stamford and continues around the state this weekend and next, unites stars from South America, sets and costumes from Europe, and a multiethnic company whose members hail from near (Fairfield) and far (Honolulu, Puerto Rico, Kiev).
Of course, ballet has always been an international affair, as evidenced by “Sleeping Beauty” itself: based on a French fairy tale, created by a Russian composer and a French ballet master, and made famous here by English dancers. “The Nutcracker” may be more popular with the kiddies, “Swan Lake” better known to the grown-ups. But among experts, “Sleeping Beauty” is frequently cited as the finest of the
Tchaikovsky classics.
First, it has that glorious score, arguably the best ever written for a ballet. Then there’s Princess Aurora, fated to wait 100 years for a handsome prince to wake her from her nap with a kiss. She’s traditional ballet’s least complicated heroine, but she’s also the one called upon to handle some of its most difficult maneuvers.
With four distinct settings and an enchanted forest that rises to hide Aurora’s royal palace (so she and the court can sleep in peace), this ballet also provides lush opportunities for stage magic. And “Sleeping Beauty,” first produced in 1890, lives in a remarkably nuanced moral universe, in which the good fairy cannot undo the work of the evil fairy — she can only mitigate it.
So Connecticut Ballet merits applause just for tackling this grand masterpiece of the 19th-century classical repertory. And if the report card on last Sunday’s Stamford Center for the Arts matinee at the Palace Theater is somewhat mixed, the company gets full marks for ambition — and for providing local audiences with a very credible “Sleeping Beauty” that will only get better as the company grows.
The first glimpse of the royal court in the opening scene did not bode well. The women waiting around for the christening of the newborn Princess Aurora wore flimsy-looking pink satin gowns of indeterminate period and no style; the men were in fussy black pantaloons and feathered three-musketeer hats. But as soon as the fairies arrived in their pastel tutus, things improved markedly. It became clear that Elizaveta Dvorkina’s costumes, originally created for a now-defunct European touring company, were going to be easy to categorize: the ones that danced were going to look splendid; the others were not going to matter.
Costumes don’t dance by themselves, of course, and Brett Raphael, the company’s artistic director, has staged the ballet with verve. For the roles of the 16-year-old Aurora and her prince, Florimund, he borrowed the principal dancers Cecilia Kerche and Vitor Luiz from the ballet company of the Teatro Municipal in Rio de Janeiro. Ms. Kerche, a veteran, technically solid dancer who has performed around the world, was regal rather than girlish, reserved rather than impetuous — although her Aurora did seem to loosen up somewhat in Act III, when she finally got her man. Ms. Kerche’s best leaping days are probably over, but her turns had speed and elegance, and her balances were steady — yes, she passed the Rose Adagio test. Mr. Luiz was a gracious and reliable partner whose bursts of athleticism and technique were undercut by a somewhat wan personality.Personality aplenty rolled onstage with Alfredo Millan’s campy Carabosse, stepping off her evil-fairy cart in a swirl of black fabric to punish the King and Queen for forgetting to invite her to the christening. Tall and extravagantly theatrical, he’s a practiced hand at the comic strategies of transvestite ballet. His Carabosse mockingly mimicked the dances that the good fairies had just performed and cackled after dooming Aurora to die at 16 of a close encounter with a sharp spindle. The antidote to Carabosse’s evil spell was provided by the ardent Lilac Fairy of Daryna Paliy, who danced with big strokes and a lot of heart.
In the wedding finale, there were entertaining moments from Kate Loh and Alexandre Anatska as Red Riding Hood and the Wolf, Raul Peinado and Emily Sorelle as Puss in Boots and the Cat, and Ramon Thielen and Therese Miyoshi Wendler as the Bluebird and Princess Florine. And in the ensemble passages, the company looked spiffy and well rehearsed, if sometimes overly careful.
Ms. Dvorkina’s painted back cloth for the christening scene felt a little grim and underdecorated, and the magical forest that’s meant to enmesh the palace could use a little Miracle-Gro. But the setting for Aurora’s 16th birthday party was a pleasure to look at — a golden palace shimmering with fountains and white columns that any ballet fan would be happy to visit again.
“The Sleeping Beauty,” produced by the Connecticut Ballet, will be at the Maxwell and Ruth Belding Theater at the Bushnell in Hartford on Nov. 3 and 4. Information can be found at (860) 987-5900 or connecticutballet.com.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Entrevista Publicada



Coluna "Sala de Concerto"
Entrevistas com Cecília Kerche e Vítor Luiz

Numa composição de gerações distintas surge a sincronicidade do amor pela dança, através de um profissionalismo impecável e determinação total. Assim podemos “resumir” esse “pas de deux” de almas destinadas através da vocação de comunicar o divino no humano através da arte da dança. A “Elegância Clássica” e o “Danser Noble”.
Cecília Kerche e Vítor Luiz apresentaram-se em Dallas no Texas, no TITTAS COMMAND PERFORMANCE OF INTERNATIONAL BALLET, no último dia 05 de Abril. Ambos participaram da temporada do ballet “Giselle”, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro de 12 a 21 de Abril. Agora em maio embarcam para o Canadá onde participaram de uma Gala Beneficente, com fundos revertidos para pesquisa do Câncer.
Cecília Kerche possui o título de Embaixatriz da Dança outorgado pela UNESCO devido a sua gama de atuação nas principais capitais internacionais. Cecilia Kerche – primeira bailarina do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, é protagonista de uma carreira de reconhecimento internacional onde musicalidade, plasticidade, sensibilidade e emoção desenham uma trajetória de sucesso. Paulista de nascimento radicada no Rio de Janeiro, teve como professores, Vera Mayer, Halina Bienarcka e Pedro Kraszcuzuk, seu maestro e marido.
Passou a integrar a Companhia de Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 1982, cumprindo a determinação que se fez ainda no seu começo de estudo que - “um dia ocuparia o cargo de primeira bailarina do Teatro mais importante do País” - como de fato ocorreu no ano de 1985.
Apresentou-se em diversas Galas Coreográficas nas cidades de Madri, Moscou, Londres, Santander, Peralada, Narvi Jerez, Cidade do México, Caracas, Santiago do Chile, Assunpção, Montevidéo, Porto Rico, Dresden, Bruxelas, Antuérpia, Paris. Nessas últimas cidades tomou parte no espetáculo “Los Gigantes de La Danse”, junto a Maya Plissetskaya, e várias outras estrelas internacionais.
A Rússia é um lugar de destaque em sua carreira internacional. É convidada periodicamente para atuar nas versões integrais de grandes clássicos nas cidades de Odessa, Novosibirsky, Tashkent, Ufá.
A Australian Ballet contou com sua presença na participação no Ballet “Spartacus”, apresentado nos Teatros de Melbourne e Sidney. Como convidada do English National Ballet, na categoria de Senior Principal teve a seu encargo a temporada de inverno de 93/94, retornando à companhia como Principal Residente Guest Artist, quando participou das temporadas de inverno e verão de 95/96.
Em 1996, Márcia Haydée criou especialmente para Cecília Kerche um pas dedeux inspirado na lenda da sereia Yara.
No ano de 2006 foi convidada pela UNESCO para fazer parte do (CID) - Conseil International de la Danse, como um reconhecimento por toda sua trajetória internacional.
Vítor Luiz nasceu em Juiz de Fora e iniciou seus estudos de ballet com o professor Vitor Navarro em Petrópolis. No Rio de Janeiro estudou com Dalal Achcar e Pedro kraszczuk.
Formou-se pela “Royal Ballet School” (Londres). Sua carreira profissional começou na Inglaterra, no Birmingham Royal Ballet (dirigido por David Bintley). De seu repertório constam: “ La Syphide” (james), “Eduard II” (The Favel Tromp) e “Arthur” (The Saxons) de David Bintley, “O Corsário”, “Don Quixote” (Pás-de-deux 3º ato), “Giselle” (Paysant pas-de-deux), “Com Amor” (Dalal Achcar).
De volta ao Brasil, Vítor integra o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, passando a se destacar nos primeiros papeis de “O Quebra Nozes”( Dalal Achcar), “Coppélia” (Enrique Martinez), “Giselle” (Piter Wright), “O Lago do Cisnes”(Feodorava, Makarova e Pankova), “A Bela Adormecida” (Slavick), entre outros, sempre com muito sucesso de público e de crítica, logo assumindo o cargo de Bailarino Principal.
Cecília Kerche e Vítor Luiz concederam as seguintes entrevistas para o Portal da Famílias:
Entrevista com Cecília Kerche
1 - Ano passado foi um ano de muitos convites para o exterior, inclusive você participou como bailarina convidada numa Gala no City Center. Pode nos contar essa experiência ?
CECÍLIA KERCHE - Foi minha primeira experiência em Nova York ,e mais um momento muito importante e gratificante em minha carreira , pois não obstante o fato de dançar lá ,participava na condição de madrinha da delegação brasileira que concorreu no YAGP ( Youh American Gran Prix).

2- O ballet “O Quebra Nozes” concluiu com “chave de ouro” a inesquecível temporada de final de ano do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Neste ano de 2008 o que podemos esperar dessa magnífica companhia clássica?
CECÍLIA KERCHE - A história desta companhia é trazer ao público sua especialidade , O BALLET CLÁSSICO. Estes artistas motivados por boas temporadas sempre são um sinônimo de sucesso para o Theatro Municipal. Não sem razão o Ballet do Theatro Municipal é considerado "A PRATA DA CASA" !!!

3 - Embaixatriz da Dança, melhor intérprete do ballet “O Lago dos Cisnes”, “Elegância Clássica”, Embaixadora da Cidade do Rio de Janeiro, Membro do Conselho Internacional da Dança... - Esses são alguns títulos que você carrega por sua trajetória de excelência no ballet. Pode nos falar sobre eles?
CECÍLIA KERCHE - Sim, mas não me prendo a isso não !!! Porque cada vez que entro no palco lá está só a bailarina .

4- Cecília, fale um pouco sobre o seu cotidiano. Rotina de ensaios, vida em família - é possível conciliar tudo isso para uma Primeira Bailarina com carreira internacional?
CECÍLIA KERCHE - Meu cotidiano é voltado para minha profissão. Escolhi ser bailarina desde muito cedo e vida de uma bailarina tem suas regras, mas como amo o que faço, sempre dá para conciliar tudo.

5- Qual seu tipo de lazer?
CECÍLIA KERCHE - Gosto de nadar, ler, brincar com meus cachorros, cozinhar quando estou inspirada, ir ao cinema e assistir programas de televisão .

6- Em suas declarações e entrevistas, é notável o seu reconhecimento pela família, o modo como foi educada, valores, ética. Você considera a família o centro da formação humana ?
CECÍLIA KERCHE - Sim a família é um grande alicerce.

7- O que mais importa na sua opinião: realização ou reconhecimento?
CECÍLIA KERCHE - Realização.

8 - Você acredita que a arte é uma fonte rica para promover educação? Formar platéia?
CECÍLIA KERCHE - Sim , mesmo sem luxo se pode ter educação artística. Estive na Rússia ainda quando era União Soviética - o povo em geral não tinha luxo; estive em Cuba e vi Havana em escombros envelhecida e deteriorada mas a educação era fator primordial. Não quero dizer que estes lugares são a referência de educação, mas pude constatar que a arte é um grande veículo de educação e noção de cidadania.

9- Cecília Kerche, o que dizer à uma mãe quando seu filho ou filha desejam estudar ballet como profissão?
CECÍLIA KERCHE - " Nooossa, você é uma pessoa de sorte mesmo !!! "

10- Qual maior ensinamento que a arte do Ballet lhe proporcionou?
CECÍLIA KERCHE - Ensinou-me a descobrir como sou forte.

Entrevista com Vítor Luiz
1- Vítor Luiz, fale um pouco sobre a sua descoberta para o mundo do Ballet?

Vítor Luiz - Tudo começou em Petrópolis, onde cresci, e dei inicio aos meus estudos em dança. Descobri como era prazeroso e bonito unir música e movimento, como essa combinação criava uma magia diferente de tudo que conhecia.
2- Qual a importância que teve sua família na sua formação como Bailarino?
Vítor Luiz - Total. Se não fosse esse incondicional apoio de meus familiares, todos eles, e se eu não seguisse a intuição de meu pai, a minha vida tomaria um rumo totalmente distinto.
3- Vítor, “Danser Noble” aos 25 anos de idade. O que você pensa sobre seu futuro no Ballet? Vítor Luiz - Sei que estou ultrapassando limites nunca cruzados por nenhum bailarino brasileiro que vive e trabalha aqui, e isso me orgulha. Ao mesmo tempo isso traz a responsabilidade de crescimento contínuo, porque para se manter bem é preciso renovar-se como instrumento e como artista. Não sei até onde vou chegar. Dois anos atrás, não imaginava minha vida como agora, - então, o que mais poderá acontecer em outros dois, três ou dez anos?
4- Fale um pouco sobre a preparação para se chegar ao título de primeiro Bailarino e o que isso representa para você ;
Vítor Luiz - Minha carreira profissional começou com 17 anos na Inglaterra. Fazia parte do Birmingham Royal Ballet. De lá pra cá fiz um pouco de tudo dentro de uma companhia. Desde figurante até principal. Em 2005 recebi no Theatro Municipal o título de Bailarino Principal. Acho que a preparação nada mais foi que o aprendizado. Sempre tive pessoas ao meu lado, que me diziam a verdade, mesmo que não fosse muito agradável escutar! Uma coisa que me valeu foi aprender a lidar com o erro. O palco e a sala são bem diferentes. O título representa respeito e reconhecimento no mundo da dança, e um troféu. como o de uma conquista. Mas ... “ô negócio que dá trabalho polir, viu...”
5- O sucesso da temporada do ballet “O Quebra Nozes” ano passado, contou com sua assinatura. Um público receptivo, temporada com ingressos esgotados todos os dias. O que isso representa para a principal Companhia. de Ballet do Brasil?
Vítor Luiz - Para mim é a prova que o ballet como entretenimento é, e continuará sendo uma das formas mais atraentes para o público de todas as idades, de todos os povos, de todas as línguas, por estarmos falando com dança, não palavras. A vantagem disso é que cada espectador alimenta na imaginação uma história toda sua, única.

6- Vítor, que diz para você o nome Cecília Kerche ?
Vítor Luiz - Esse nome me soa familiar... Onde já ouvi esse nome?Brincadeiras à parte, Cecília pra mim foi desde sempre um espelho. Com 15 anos comecei a estudar com meu grande mestre Pedro Kraszczuk, marido de Cecília, e assim a conheci. Lembro que a primeira coisa que disse pra mim foi: “Meu Deus, mas é um bebê!”, referindo-se à idade, e a cara de menino. Com o passar dos anos, conheci muitas outras “Cecílias”, primeiro era só exemplo, depois se tornou partner e hoje a tenho como uma grande amiga.
7- Vítor, você já conquistou o público do Rio, uma platéia que admira o seu trabalho. Como é dançar no exterior?
Vítor Luiz - É diferente, pois cada público tem a sua maneira de gostar. Não me importo muito se estou aqui ou lá, procuro sempre me apresentar da melhor maneira para representar bem o Theatro Municipal e em conseqüência, o Brasil.
8- Você acredita que para o Bailarino Clássico no Brasil a melhor saída seja o aeroporto Tom Jobim?
Vítor Luiz - Pra muita gente sim. Aqui infelizmente não temos espaço para todos. Sobram academias formando gente de primeira linha, falta emprego, quantidade de espetáculos e melhores salários.
9- Você dançou o ballet “Onegin” – uma obra prima de Tchaikovsky, na personagem do poeta Lensky. Como foi para você conceber essa personalidade tão doce e romântica e, ao mesmo tempo, tão visceral?
Vítor Luiz - Eu acredito ter conseguido captar a essência de Lensky, que na minha leitura é a de uma pessoa jovem extremamente sensível, ao mesmo tempo que rústico, com valores de um apaixonado pelos ideais de amor eterno ,nobreza e hombridade; e que acontece de ser enamorado de Olga, que por sua vez é fútil e deslumbrada. Combinação difícil. Na parte técnica, é um dos papéis mais difíceis do ballet. Dançar o adágio da cena do duelo é um desafio técnico muito grande por si só, quanto mais quando é feito com emoção. Também foi minha estréia oficial como Primeiro bailarino, e eu senti o peso da responsabilidade sobre os ombros, mas de uma forma muito positiva!
10- Vítor Luiz, você acredita que o artista seja um canal mediador entre criador e criatura?
Vítor Luiz - Sim. Todo ser humano tem em si o potencial de realização. Porém só o artista é capaz de transcender a tudo, e manifestar o inusitado. Pra mim não há caminho mais curto entre Deus e o homem que a arte.
Wellen de Barros


Publicado no Portal da Família em 07/05/2008

sábado, 26 de abril de 2008

Fotos - meus ballets





                                                                      "O Lago dos Cisnes"

                                                                      "Giselle"




 













"Onegin"
 










 



















                                                                "A Bela Adormecida"



                                                             
"O Quebra Nozes"


* Partners: Thiago Soares/ Carlos Cabral/Vítor Luiz/Denis Vieira

segunda-feira, 21 de abril de 2008

"Giselle"- abertura da temporada de 2008


Giselle abre temporada de balé do Theatro Municipal do Rio
10/04/2008 - 15h27
Giselle é apontada como a mais popular personagem de balé clássico em todo o mundo e sonho de praticamente toda aspirante à bailarina. Clássico do repertório mundial, o grandioso balé homônimo, com 52 personagens, ganha o palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro a partir do dia 12 de abril para abrir a temporada 2008 de balé com um total de oito apresentações. Encenada por algumas das maiores companhias internacionais, a versão assinada pelo coreógrafo inglês Peter Wright integra o repertório do Balé do Theatro Municipal desde 1982. No papel-título, se revezam as bailarinas Ana Botafogo,Cecilia Kerche, Claudia Mota e Márcia Jaqueline. Vitor Luiz e o espanhol Jesús Pastor, artista convidado, se alternam no papel de Albrecht. À frente da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal estará o maestro Silvio Viegas. O balé conta com a direção e mis-en-scène de Desmond Kelly, supervisão artística de Dalal Achcar e direção do Corpo de Baile do TMRJ de Marcelo Misailidis.
Criado em 1841, Giselle foi a segunda obra dentro do estilo romântico, precedida por La Sylphide, de 1832. Trata-se de uma tragédia envolta numa atmosfera misteriosa e sobrenatural, que está na origem do Movimento Romântico. É uma obra que vem encantando o público há mais de um século e meio, e constitui-se em um ponto de referência na história da dança.
Giselle nasceu a oito mãos: do escritor Theóphile Gautier, do libretista Vernoy de Saint-Georges e da vivência dos coreógrafos Jean Coralli e Jules Perrot. A obra reflete uma nova estética e um novo conceito cênico: o drama-balé, em que elementos do teatro se harmonizam com a dança. O resultado é um balé suave e ousado, em acentuados contrastes, que contrapõem o primeiro ao segundo ato. De um lado, o realismo do cotidiano. Do outro, seres incorpóreos e imateriais. A música foi composta por Adolphe Adam.
Para o maestro Silvio Viegas, o balé exige desafios diferentes da regência: "O balé é uma realidade para o maestro tão incomum quanto a ópera. Existe uma flutuação, um ritmo próprio. O guia ainda é a música, mas o maestro precisa acompanhar o ritmo do corpo do bailarino, buscando a todo tempo a expressão entre esses dois grandes signos que são a música e a dança."
História de amor mistura realidade e fantasia
O primeiro ato de Giselle se passa numa pequena aldeia de camponeses, no dia da festa da vindima, o fim da colheita da uva. Giselle é uma jovem doce e humilde, filha de Berthe. A alegria de seu coração puro conquista o amor do duque Albrecht. Apaixonado, ele se veste de camponês e faz a corte à moça. Giselle, que acredita tratar-se apenas um rapaz da vila chamado Loys, apaixona-se por ele. Devido às diferenças sociais e por ser o noivo de Bathilde, a filha do Duque de Courland, esse amor jamais se realizará. Mesmo assim Albrecht mantém a farsa, alimentando as esperanças da jovem.
Entra em cena Hilarion, o jovem guarda-caças da vila, que também está loucamente apaixonado por Giselle. Ele tenta interromper o idílio, lembrando seu amor por ela. Mas Giselle, apaixonada por Loys, repele Hilarion, juntando-se alegremente às suas amigas e companheiros.
A chegada de uma grande comitiva de caça, encabeçada pelo Duque de Courland e sua filha Bathilde dá a Hilarion a oportunidade para agir. Preterido e despeitado, ele desmascara seu rival durante a festa da vindima da aldeia, em que a jovem amada é coroada rainha da colheita. Surpreendida pela revelação, Giselle procura afogar sua desilusão numa dança frenética. Enlouquece e suicida-se com a espada de Albrecht. Assim, termina a primeira parte.
O segundo ato começa à meia noite, em meio a uma clareira na floresta, um lugar sinistro, com árvores retorcidas e uma atmosfera de suspiros e lágrimas. Ali se passa o baile mágico da Willis, espíritos de jovens que morreram antes do dia do seu casamento. Para vingar-se, elas se reúnem e obrigam os rapazes que encontram pelo caminho a dançarem até a morte.
Neste lugar, Hilarion está de vigília na sepultura de Giselle. Surge uma sombra transparente e pálida. É Mirtha, a rainha das Willis. Em seguida surgem outras Willis, que se agrupam graciosamente em torno dela. Então, elas tiram Giselle de sua sepultura para iniciá-la em seus ritos. Albrecht chega trazendo flores e Giselle surge para ele, que tenta pegá-la, mas ela desaparece e ele sai à sua procura.
Neste momento, Hilarion é pego pelas Willis. Mirtha, a rainha, ordena que ele dance até à exaustão. As Willis começam então uma orgia alegre, dirigida por sua rainha triunfante, quando uma delas descobre Albrecht e o traz para o círculo mágico. Mas no momento em que Mirtha vai tocá-lo, Giselle se lança na frente de Albrecht, protegendo-o com a cruz de seu túmulo, até o momento em que surge a aurora, quebrando o poder da Willis.
Jesús Pastor, artista convidado
Nascido e criado em Madri, começou seus estudos de dança na Escola de Victor Ullate, graduando-se no Royal Conservatory of Madri. Entrou para a Cia de Ullate em 1992, e tornou-se Bailarino Principal em 1996, dançando todo o repertório da Cia. Em 1995, ganhou medalha de ouro na Eurovision Competition para jovens bailarinos. Apresentou-se em diversas Companhias do mundo como o Balletto di Torino, Compañía Nacional de Danza (Madri), Ballet de Zaragoza, Scottish Ballet, English National Ballet e American Ballet Theatre. Seu repertório inclui obras de Balanchine, Maurice Béjart, Nacho Duato, Victor Ullate, Patrick de Bana, Hans van Manen, William Forsythe, Rudi van Dantzig, Jiri Kylian, Niels Christie, Jean Christophe Balviet, Luc Bouy.
SERVIÇO
Solistas por data:
Ana Botafogo / Jesús Pastor - 12 e 16
Cecília Kerche / Vitor Luiz - 19 e 21
Claudia Mota / Jesús Pastor - 18 e 20
Márcia Jaqueline / Vitor Luiz – 13, 15 e 17
Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Praça Floriano s/nº - Centro
Estréia:
Dia 12 de abril às 21h
Demais récitas:
Dias 13, 20 e 21 de abril às 17h
Dia 15 de abril às 14h
Dias 16, 17 18 de abril às 20h
Dia 19 de abril às 21h
Preços:
Platéia e Balcão Nobre - R$ 70,00
Balcão Simples - R$ 50,00
Galeria - R$ 25,00
Frisas e Camarotes - R$ 420,00 (seis lugares)
Classificação etária - Livre
Informações: 2299-1711
Bilheteria: 2299-1676

,,,"O Quebra Nozes" 03/12/2007


03 / 12 /2007 - `O Quebra-Nozes` encerra temporada no Municipal do Rio
RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Astros do Royal Ballet de Londres, Roberta Marquez e Thiago Soares vêm ao Brasil especialmente para dançar os papéis principaisUm dos balés mais populares do mundo, a clássica história natalina ‘O Quebra-Nozes’ estréia no dia 14 de dezembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em grande produção que encerra a temporada 2007. Com patrocínio da Eletrobrás, o espetáculo tem direção de Dalal Achcar e retorna ao TMRJ após seis anos de ausência. Estrelas do Royal Ballet e ex-bailarinos do Ballet do Theatro Municipal – onde não atuam há cinco anos – Roberta Marquez e Thiago Soares virão de Londres especialmente para interpretar os papéis principais da montagem. Eles se revezam, respectivamente, com os primeiros bailarinos do Corpo de Baile do Theatro Municipal Ana Botafogo, Cecília Kerche, Claudia Mota, Márcia Jaqueline, no papel de ‘Fada açucarada’, e Vitor Luiz e Felipe Moreira, no de ‘Príncipe Quebra-Nozes’. “Tenho uma relação muito especial com este balé, que dirigi pela primeira vez em 1974 e no Theatro Municipal do Rio, desde 1981”, explica Dalal Achcar. “Gosto especialmente porque a história tem uma magia única e desperta um clima de fraternidade que deveríamos ter sempre. É uma obra que agrada a todas as idades”. A enorme popularidade de ‘O Quebra-Nozes’ comprova o fascínio exercido nas platéias a partir do encontro do conto de Alexandre Dumas com a música de Tchaikovsky e a coreografia original de Marius Petipa e Lev Ivanov. Sua estréia foi em 1892, na Rússia. A primeira apresentação no ocidente só aconteceu em 1934, no Sadler’s Wells Theatre, em Londres. Desde então, tornou-se um dos balés mais montados em todo o mundo. “Eu dancei todas as montagens de Dalal, desde 1979, ao lado de partners maravilhosos como Fernando Bujones, Jean-Yves Lormeau e Lázaro Carreño. É uma grande confraternização, porque reúne todo o Corpo de Baile do Theatro e para mim, ‘O Quebra-Nozes’ tem uma das músicas mais lindas do balé”, comenta Ana Botafogo. Para os demais bailarinos do Theatro Municipal, ‘O Quebra-Nozes’ é um balé que também tem um significado especial. “A volta desta montagem da Dalal é um momento importante, um balé que marca não só as comemorações do Natal e o fim da temporada mas sobretudo é um grande presente para o público carioca”, afirma Cecília Kerche. Já seu partner, Victor Luiz admite: “Foi com este balé que tive certeza absoluta sobre minha carreira. Foi meu primeiro papel como primeiro bailarino, em 2001”.

Publicado no JB


07 / 09 /2006 - Versão inédita do balé `O lago dos cisnes` estréia no Rio
RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Uma montagem inédita do balé "O Lago dos cisnes", coreografada pela bailarina russa Yelena Pankova, estréia no palco do Theatro Municipal do Rio nesta sexta-feira, às 20h. A temporada vai até dia 18 deste mês. Baseado em uma lenda germânica, O Lago dos Cisnes é um ballet russo, criado em 1875, que conta a história de amor entre a Princesa Odette (Cisne Branco) e o Príncipe Siegfried. Após ser enfeitiçada pelo bruxo Rothbart, ela assume a forma de cisne durante a noite e a única maneira de voltar a ser humana definitivamente é encontrar um amor puro e verdadeiro. Isso acontece quando ela conhece o príncipe Siegfried, mas o feiticeiro descobre e faz sua filha Odile (Cisne Negro) se passar por Odette. Começa aí uma batalha entre o bem e o mal. A bailarina e coreógrafa russa promete uma montagem de O Lago dos Cisnes diferente de todas que já passaram pelo palco do Municipal. Além da dança, ela pretende explorar o lado cênico dos bailarinos e oferecer um ballet mais teatral. A Princesa Odette e Odile são interpretadas pela mesma bailarina. Nessa temporada, Márcia Jaqueline, Cláudia Mota e Cecília Kerche se revezarão. No papel do príncipe Siegfried estarão Tiago Soares, Francisco Timbó e Vitor Luiz. O ballet será acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal sob a regência do maestro André Cardoso.

Fonte: JB

domingo, 20 de abril de 2008

Repertório




O Lago dos Cisnes

Petipa/Carter/Alonso/ Struchakova/ Feodorva/ Pankova

Don Quixote

Petipa/ Previl/ Achcar/ Alonso

Giselle

Coralli/ Wright/Alonso

La Bayadère

Peptipa/ Makarova

A bela Adormecida

Petipa/Hynd/ Deane

Coppelia

Saint Leon / Martinez

O Quebra Nozes

Ivanov/ Leskova / Achcar/ Steevenson

Spartacus

Seregi

Floresta Amazônica

Achcar / Ashton

Lês Silphides

Fokine

Raymonda

Petipa/ Evereinoff

Paquita

Petipa / Makarova

Orfeo e Eurídice

Nebrada

Nuestros Valses

Nebrada

Diversions

Comelin

Mandarim Maravilhoso

Oscar Araiz

Adagietto

Oscar Araiz

Onegin

Jonhn Cranko

A Criação

Uwe Scholz



Pas de Deux:

Le corsaire, Gran Pas Classique, Dianna e Action,Tchaikovski, Esmeralda,Talisman



Criações especiais:

Yara

Haydèe

Dreams e Haymne e La Femme

Moreira

The Voice

Achcar

E Tome e Valsa

Silvano



Solo:

Morte do Cisne

Fokine




sexta-feira, 18 de abril de 2008

...Bailarina brasileira mais requisitada, para apresentações internacionais


Herman Piquinn voltam a dançar juntos em Joinville, abrindo a etapa competitiva do Festival de Dança. Os dois apresentaram "Pas Classique" (foto) em, 1997
Cecília Kerche,a bailarina cigana
Bailarina completa 10 anos de participações no Festival dançando "Esmeralda" com Herman Piquinn
Joel GehlenEditor do ANFestival
Que ruflem os pandeiros, quarta-feira é dia de Cecília Kerche que encarna uma cigana, como primeira convidada especial, abrindo a noite que dá início à fase competitiva do 17 Festival de Dança de Joinville. Cecília e o bailarino do Teatro Colon, da Argentina, Herman Piquinn, apresentam o grand pas-de-deux do balé "Esmeralda", uma peça de sangue ardente talhada à medida da alma e das pernas de Cecília. A apresentação começa às 19 horas no Centro de Eventos Cau Hansen.
Esta é uma noite especial que marca os dez anos do primeiro encontro entre Cecília e o Festival de Joinville, a bailarina comemora também, duas décadas de carreira internacional.
A primeira vez que dançou em Joinville, Cecília nunca esquece. Era uma noite fria de 1989. Ela estava no palco, com o grupo Studio D 1, de Curitiba, dirigido por Dora de Paula Soares, apresentando Odete, do segundo ato do balé "O Lago dos Cisnes" (Lev Ivanov/Tchaikovsky). Cecília foi uma nívea Odete, a raínha dos cisnes ,no lago escuro do linóleo improvisado no Ginásio de Esportes Ivan Rodrigues. Quando terminou a apresentação, Cecília recebeu 15 minutos de aplausos, o público só se contentou quando a bailarina, que já estava no camarim se trocando, voltou ao para uma para uma última despedida. A grande ovação repercutiu na imprensa nacional, o que ajudou a consolidar sua carreira junto ao público brasileiro.
Desde então, Cecília retornou sete vezes a Joinville, transformando-se num símbolo para as bailarinas que concorrem no festival. Outra grande emoção, foi vivida em 1992, quando Cecília dançou o grand pas-de-deux "Diana e Actheon", com o astro argentino Maximiliano Guerra. Foi o tipo de apresentação que, "quem viu jamais esquece e quem não viu não pode crer". Cecília e Maximiliano estavam no ápice da forma física, e fizeram a apresentação mais espetacular da história do festival.
Internacional
Bailarina brasileira mais requisitada, para apresentações internacionas, Cecília Kerche vem a Joinville logo depois de ter participado de um gala, na Alemanha, onde dançou com Maximiliano e o russo Alexej Dubunin, onde foi preciso abrir e fechar a cortina nada mais que 11 vezes para agradecer ao público, que não parava de aplaudir. Cecília ainda comemora seu retorno ao Ballet do TM, depois de três anos e meio afastada. Sua reestréia foi na recente temporada de "Giselle", espetáculo apresentado ontem no Festival.
Cecília e seu partner Herman Piquinn, já se apresentaram juntos em Joinville, ano retrasado, quando apresentaram o "Grand pas-classique". Piquinn, é um dos mais importantes bailarinos do Teatro Colon, de Buenos Aires (Argentina). A última vez que dançaram juntos, foi na Mostra de Florianópolis, em junho último.
A peça escolhida, para esta noite, gran pas-de-deux do balé "Esmeralda", é bastante conhecida em Joinville. Já foi apresentado em 1994, por Ana Botafogo e Linz Chang. Sua variação feminina é um dos mais recorrentes "cavalos-de-batalha" das bailarinas concorrentes no festival, sendo repetida inúmeras vezes a cada noite. "Esmeralda" é um balé romântico, de 1884, com roteiro e coreografia de Julles Perrot e música de Pugni. Baseado no romance de Vitor Hugo, "O Corcunda de Notre Dame", narra a infeliz história de amor de Quasímodo pela jovem cigana Esmeralda. O pas-de-deux que será apresentado por Cecília e Piquinn pertence ao segundo ato do balé, é o trecho em que a cigana dança com o poeta para salvá-lo da morte. "É uma versão francesa, muito charmosa, refinada e chique. Retrata todo o cavalherismo do rapaz e a feminilidade da garota, é extrememante técnico, mas também muito sensual", resume Cecília.
A apresentaçõ de uma peça de repertório clássico marca a primeira noite de competições da modalidade. A dança clássica vem ganhando espaço no Festival e, de uma " estranha no ninho", como poderia ser considerada há uns 11, 12 anos, hoje é uma das modalidades mais disputadas e de onde têm saído as últimas revelações do Festival. Revelações que tiveram, sem dúvida, Cecília Kerche como um espelho.

Encontro de Almas...




Onegin – A arte do movimento de um pincel sobre pontas

“Eugene Onegin”, sem dúvida é um dois mais belos momentos de inspiração na criatividade do compositor russo Tchaikovsky. Baseado no poema de Alexander Pushkin, que conta uma história romanesca do final do séc.XVIII na Rússia. De conteúdo altamente dramático, Tchaikovsky, retratou uma realidade particular, porém de forte identificação pessoal ao espectador.
Uma realidade passada em dois momentos: A vida no campo e mais tarde, numa grande cidade.
Seria o paradoxo da ingenuidade sentimental que se choca com a arrogância frívola?!
“Eugene Onegin”, é uma obra do sentimento. Uma retórica da consciência na liberdade individual trazendo a tona, o sentir de cada personagem, pois todo pensamento acompanha um sentimento.
Tchaikovsky, ao ler o poema de Alexader Pushkin, identifica sua própria realidade. Um ser humano que veio com o propósito de missionar à humanidade uma espécie de auto - entendimento. A música de Tchaikovsky é o percurso íntimo no interior de cada ser. É a luz e sombra que comporta e convive no aprisionamento corporal que todos temos, mas nada impede que pairemos como seres libertos através da sua melodia. Esse missionar de liberdade é a proposta visceral na música e na história contada por seus personagens.
Em uma época de grandes mudanças, onde predominava um forte sentimento nacionalista, Tchaikovsky não se limita a padrões enérgicos de patriotismo, sua liberdade de compor é resguardada, sem perder a noção ética aos seus compatriotas que buscavam libertar-se dos moldes da música ocidental e retornar ao folclore russo.
A temática do drama gira em torno de: Onegin, Tatiana, Olga, Lenski e o Príncipe Gremin.
Tatiana é uma jovem, cuja principal característica não está em ser sonhadora, mas na pureza de coração. Seu temperamento é maduro e reflexivo, pois sua realidade, não está no externo, mas no interior de cada pessoa de seu convívio, por isso, não se incomoda com as “provocações” de Olga, sua irmã e de suas amigas. Tatiana não percebe o que está a sua volta como imediato e definitivo. Ela consegue separar o efêmero do verdadeiro, daí tanto sofrimento e sensibilidade.
Olga possui um temperamento oposto, é impulsiva, agitada extrovertida.
Em sua casa de campo recebem a visita do poeta Lenski e de seu amigo Eugene Onegin, homem arrogante e frio. Enquanto Lenski seu amigo de temperamento doce e cordial declara seu amor por Olga, Onegin permanece distante em relação à Tatiana, que se sente atraída por uma personalidade tão misteriosa e intrigante como a de Onegin, e isso lhe dá coragem de escrever-lhe uma linda carta de amor.
Durante um baile oferecido pelo aniversário de Tatiana, Onegin corteja Olga para se vingar das observações desagradáveis que ouve a seu respeito. Furioso, Lenski provoca-o a um duelo. Ao amanhecer, Onegin mata seu amigo.
Anos mais tarde, numa festa na casa do Príncipe Gremin, Onegin reconhece uma mulher resplandecente. É Tatiana! Esposa do Príncipe Gremin. Este, radiante de felicidade e o recebe com todas as honras.
Onegin, revê o seu passado tão hostil e constata um presente vazio. Mesmo assim, seu fascínio por Tatiana o faz declarar seus sentimentos ainda trazidos do passado. Tatiana não nega sua paixão por Onegin, mesmo porque em sua transparência não conseguiria negar seus sentimentos, ao rever o grande amor do passado, mas reconhece que vive outra realidade. Casada e feliz ao lado de um homem que a ama, onde existe a reciprocidade de um sentimento mais maduro. Numa atitude definitiva e dolorosa, manda Onegin embora. Esse se afasta desesperado.

Ópera e Ballet: duas formas distintas de contar uma linda e comovente história de amor.
O coreógrafo John Cranko (natural da África do Sul – Rustenburg, em 1927 e faleceu em 1973) cria para o Ballet de Stuttgart - ONEGIN . que estreou no Brasil em 1979.
Em 2003 entrou para o repertório da Companhia de Ballett do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com reapresentação em 2004 e agora em 2006.
John Cranko, dá continuidade idéia de Tchaikovsky através da arte do movimento, criando genialmente um desdobramento virtual.
Onegin é um ballet de grande força teatral, pelas linhas e desenhos coreográficos comoventes na sua comunicação. Despertando a dramaticidade teatral de bailarinos, que contam de forma magistral este drama de sentimento.
A música rompe com um vigor de alegria entre metais e percussão, retratando o modo de vida de cada personagem.

Ao abrir da cortina, dois “mundos”, são apresentados em expectativas distintas.
Tatiana, uma imagem límpida do sonho e do romantismo: Uma jovem que mantém seus pensamentos introspectivos, sublimados, todavia sua irmã Olga destaca-se pela irreverência, realista e de um temperamento alegre.
Tatiana, não se sente agredida pelo que está a sua volta, pois o que a fascina é o seu próprio interior, a sua leitura reflexiva, que a faz “voar” e sonhar muito mais alto e longe do que as brincadeiras divertidas, de Olga sua irmã e de suas amigas.
Com chegada de Onegin o tema musical modifica o que vinha sendo narrado entre brincadeiras e puro divertimento na vida do campo. O tema musical anuncia um teor sombrio, até mesmo contendo uma certa frieza.
No momento em que Onegin e Tatiana dialogam, a música de Tchaikovsky reproduz uma grande expectativa por parte de Tatiana. Seus pensamentos divagam na tentativa de penetrar no interior daquela figura altiva, ao mesmo tempo hostil. Sua intimidade se identifica com esse mistério e contagia o espectador. Compõe-se um quadro de luz e sombra na sublime interpretação da primeira bailarina do Theatro Municipal - Cecília Kerche, na personagem Tatiana. Cecília se deixa levar pela música de Tchaikovsky na pintura desse quadro de luz e sombra. Sobre pontas, a bailarina empresta sua sensibilidade para ir pintando a imagem do interior da alma do compositor, Cecília Kerche percorre o mundo de sombras, mas sua arte ilumina o sentimento de Tatiana. Seu coração resplandece desejo de uma possível felicidade.

Cristiane Quintan, sua alegria e emoção ao viver a personagem Olga. Um temperamento extrovertido e alegre à bailarina de temperamento sorridente e de bem com sua arte. Cristiane e Olga se revezam, numa jovialidade “inconseqüente” e provocação adolescente. Numa qualidade bela extravagante de rebeldia romântica interpretada por Quintan.

O Corpo de Baile compõe esta linda festa, nos brindando com suas exímias diagonais, engrandecendo todo o espetáculo transportando o ambiente para a tela mental do espectador, que viaja para a época do folclore russo, deixando-se levar pelo entusiasmo e pela vibração contagiante.

A visita de Lenski - Vítor Luiz acompanhado por seu amigo Onegin. É a entrada triunfal esperada na vida de um primeiro bailarino - uma aparição em cena de grande expectativa para o público que já conhece a sua grandiosidade clássica. Vítor Luiz é um orgulho nacional, onde talento e arte transpiram categoria e simplicidade. Um personagem feito para ele. E ele o defende, apresentando sua técnica com toda dignidade que se espera de um primor de total nobreza: Um momento de dor e solidão, em que a música narra a melancolia, na sonoridade das trompas e na tristeza do oboé. O que estará por vir no destino desse poeta? O poeta Lenski possui um temperamento bem humorado, doce, às vezes lacônico. Sonhador no momento certo, galante e sedutor na medida exata. Acima de tudo leal, assim é o bailarino Vítor Luiz na sua profissão. Um artista leal na sua convicção de amor pela dança. Um poeta também na arte do movimento. Lenski sofre, se despede da vida independente do seu destino, pois jamais pensaria num desfecho trágico do seu amor por Olga e sua amizade por Onegin.
Vítor Luiz, responde com sua arte em melancolia e desencanto da própria vida. O poeta Lenski se despede, o intérprete Vítor Luiz perpetua seu talento em nossos corações.
Onegin é a sombra de um ser humano egocêntrico e hostil. Incapaz de corresponder à docilidade de um sentimento puro, porque somente conhece a frieza da sua arrogância. Sua personalidade, reproduzida pelas cordas: Cellos , violinos e a sutil fatalidade conduzida pelo solo da flauta, mantendo sempre o clima sombrio.
Francisco Timbó na figura de Onegin transmite a segurança de um artista experiente e dedicado ao seu trabalho. Onegin é hostil, conflituoso. Não entende o significado de um amor puro verdadeiro, intenso somente a dor o torna mais sensível, numa condição em que a vida e o tempo não voltam atrás. Francisco Timbó tem total consciência desse amargor de seu personagem e faz memória ao público que acompanha sua carreira vivenciando personalidades marcantes, com a dedicação emocionada de um artista por sua arte.
Tatiana é a personalidade que Tchaikovsky admira, por sua coragem e ingenuidade, pois o amor é ingênuo e essa personalidade se funde na persona da Primeira bailarina – Cecília Kerche. Sua elegância clássica é um talento, que desperta admiração e reverência, pela categoria inigualável de sua arte, assim como Tatiana. Uma jovem, que não apenas escreve uma carta de amor, mas a coragem de uma mulher apaixonada, que não mede as conseqüências do seu ato.
Tatiana, ao se ver no espelho percebe a dimensão do seu sonho, que adquire uma realidade palpável no momento dramático da orquestra; Cecília responde a essa emoção, que conduz a temática do drama, desfrutando da força interpretativa da bailarina. Um momento forte, de vibração tênue, ao mesmo tempo arrojada. É a sensibilidade estética de Cecília Kerche que vem à tona em ballets fortes como Onegin. Cecília reúne: emoção, interpretação e movimento, numa forma lúdica em que a platéia recebe e decodifica como arte=beleza.
Tempos depois o drama de Pushkin, dá uma resposta à vida.

O príncipe Gremin interpretado por Carlos Cabral, um partner de natureza clássica, um bailarino que ama a sua arte, com o mesmo respeito e felicidade que seu personagem nobre tem por sua esposa Tatiana.
Que grande emoção alicerçada pelo teor musical romântico, melancólico que resulta num misto de força entre paixão e amor. É a maturidade artística de uma das principais bailarinas internacionais, amparada pela correspondência clássica de um bailarino de arte refinada, uma delicadeza suave respeitando a sua liberdade de movimento. É o cortejar musical triunfante da nobreza e da sensibilidade de Carlos Cabral, que docemente se entrega à realeza instintiva de Kerche.
A Obra de Pushkin adquire uma capacidade verídica não apenas por falar de “sentimento”.
O sentimento de decepção de Tatiana em relação a Onegin logo após a tragédia de vê-lo matar o noivo de sua irmã, recai sobre ele o ressentir de um passado, onde acumulou vazio e em seu presente, remorso.
Tatiana ao rasgar a carta de Onegin rompe com a platéia toda dor de um passado que ela não tem como apagar.
O chamado – “Leitmotiv” criado por Wagner, não aparece formalmente na música de Tchaikovsky, Todavia, entre a forma lúdica e genialidade na execução, interfere na criação do compositor que se deixa levar pelo “Leitmotiv” composto na construção da personagem Tatiana – e é Cecília Kerche quem reconta e conduz este drama. Sua estrutura de identificação sensível à personagem é tão verídica e harmonicamente tão bem assimilada que ultrapassa a formalidade musical de Tchaikovsky, criando uma identidade de força e romantismo. Já não presenciamos apenas a história apaixonante de Tatiana, mas a vivenciamos na liberdade artística criativa no suavizar de um pincel sobre pontas, na tela do imaginário do espectador, que contempla com emoção a arte de Cecília Kerche.



Wellen de Barros
17/11/06

Homenagem especial...


Cecilia Kerche – A lágrima de Tchaikovsky no movimento
A temporada do ballet “O Lago dos Cisnes” de Tchaikovsky contou com a experiência e sensibilidade da bailarina e coreógrafa russa - Yelena Pankova d’après Marius Petipa e Lev Ivanov.
Numa proposta mais etérea, onde a metamorfose do compositor da obra no personagem de Odette/cisne, busca a força representativa do corpo de baile durante todo tempo, culminando no imaginário coletivo a que se propõe Tchaikovsky na figura de Odyle.
Uma estréia memorável, seguindo a tradição dos grandes teatros internacionais, principalmente na delicadeza e sensibilidade de seus idealizadores, ao homenagear três personalidades do ballet brasileiro e internacional: Aldo Loutufo, Bertha Rosanova e Cecília Kerche.
Um bonito programa de homenagem distribuído logo na entrada do Teatro, oferecendo ao público uma rara oportunidade de testemunhar o reconhecimento de um trabalho digno e que dá muito orgulho aos brasileiros.
Uma platéia feliz, artistas que vieram prestigiar, recordar, abraçar seus amigos artistas do palco e mais o público anônimo fiel, verdadeiro responsável pelo reconhecimento de seus ídolos.
Um elenco de solistas e corpo de baile, fazendo eco a seus colegas homenageados.
Marcelo Misailidis que, na interpretação carismática do feiticeiro Von Rothbart, é o manifesto claro e ao mesmo tempo simbólico do poder manipulador. Uma presença de admiração e hostilidade.
Rodrigo Negri, num virtuosismo cômico e solitário do seu personagem, é a imagem nítida do “bôbo” da Corte, muito atual.
Com a dignidade de um lord, Vítor Luiz na sua interpretação ilumina, o destino de Sigfried, seu personagem - um jovem fragilizado pela imponência de uma família aristocrática. É um talento clássico, natural a um primeiro bailarino, com movimentos precisos e a suaves no acabamento da sabedoria dos deuses...
Uma nobreza límpida trazida extra-palco, que auxilia seu personagem no encontro da maturidade interior. Esta maturidade de sentimentos de Vítor Luiz, resulta na audácia da entrega ao seu personagem, numa sinceridade tardia, porém remediável a seu arrependimento, para encontrar a verdadeira felicidade, ultrapassando a morte.
Simplicidade, beleza, talento e determinação, alguns atributos indispensáveis a carreira de um verdadeiro “príncipe” guiado pela corte celeste.
Para celebrar uma noite de homenagem, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, ninguém melhor do que o mestre romântico, Tchaikovsky para com sua sensível genialidade em decodificar a alma humana, nos fazer refletir, sonhar, emocionar e transformar-nos.
O Theatro, para tanto, conta com a presença de sua diva maior - Cecília Kerche, considerada melhor intérprete de Odette/Odyle nas últimas décadas. Compositor e intérprete se complementam num mundo pessoal e coletivo, transfiguram a própria divindade.
Era muito comum na época de Tchaikovsky haver uma espécie de parceria entre compositor e coreógrafo. Aqui, porém, estabeleceu-se mais do que uma parceria entre compositor e bailarina. Firmou-se uma identidade intransponível.
A performance de Cecília Kerche, ao interpretar as personagens Odette/Odyle, faz brotar nos olhos do espectador a lágrima de Tchaikovsky através da sua emoção.
É a liberdade interior do ser humano. Cecília Kerche que conduz uma espécie de auto-revelação do compositor, compreendida de forma natural pelo público, que presencia esse diálogo, tão particular: A dor conflituosa do aprisionamento humano pessoal, de Tchaikovsky e a emoção de Cecília.
O lirismo da sua personagem Odette, lindamente descrita por um belo fraseado musical visível através de seus movimentos, faz-nos entender a plumagem da ave incorporada a uma tristeza secreta de sua alma de cisne.
É a metáfora do ser humano solitário cercado de angústia e medo.
Essa mesma liberdade interior da intérprete capta o universo imaginário coletivo que Tchaikovsky expõe sobre poder e manipulação, onde sedução e arrogância dão lugar a egoísmo e arrependimento.
Na personalidade de Odyle compreende-se o arquétipo de dualidade existente no ser humano. A sensibilidade da artista/bailarina, surpreende com a clareza formal e inquietante do simbolismo psicológico, que é narrado através do virtuosismo de máxima intensidade expressiva por sua dramaticidade.
Assistimos a um diálogo entre almas, num profundo entendimento da busca de sentido entre liberdade interior e aprisionamento humano. Metamorfose pessoal em poesia musical, narrada em grau de excelência na arte de Cecília Kerche – a lágrima de Tchaikovsky no movimento.
Wellen de Barros


20/09/06



*publicado no site http://www.elianacaminada.net/